A FORÇA DO DESTINO EM ÉDIPO REI
Nossa vida é movida de escolhas,
escolhas estas que nos direcionarão a um futuro promissor ou a uma vida de
tristezas e desilusões. Para Aristóteles, a melhor escolha necessita do uso da
razão e da reflexão. Sempre que nos deparamos com uma situação conflituosa a
escolha faz-se necessária. "Toda escolha depende de uma deliberação e esta
se dá sobre as coisas que estão ao nosso alcance e podem ser
realizadas"(ARISTÓTLES, 1973: 285).
Édipo
Rei é uma tragédia grega que se passa na cidade de Tebas e foi escrita pelo
grande poeta e dramaturgo Sófocles. A personagem central desta obra é Édipo, o
qual tenta fugir de seu destino trágico: matar o pai e desposar a mãe. O que
vemos em todo o desenrolar do texto são as personagens querendo enganar o
destino e fugir dele. Porém, como podemos perceber com o desfecho da peça, a força
do destino é muito maior que a mente humana.
No caso de Édipo, suas escolhas o
levaram a cumprir seu destino. Mesmo que tentasse fugir desde criança, a sua
condição humana não o favorecia: filho de quem não deveria ter nascido, marido
de quem não deveria ter desposado, assassino de quem não deveria ter matado.
Édipo atribui a culpa por esse destino trágico a si mesmo e também aos deuses,
como percebemos no seguinte fragmento “Oh! Ai de mim! Tudo está claro! Ó luz,
que eu te veja pela derradeira vez! Todos sabem: tudo me era interdito: ser
filho de quem sou, casar-me com quem me casei e eu matei aquele a quem eu não
poderia matar!"(SÓFOCLES, p. 62)
Através desta peça trágica, Sófocles
mostra que nenhuma criatura é capaz de fugir de seu destino, pois todos já o
temos previamente traçado. Na obra de Sófocles, Édipo tem seu destino traçado
pelos deuses, pois estes atuam na vida humana, influenciando em suas vontades.
Todos acreditam que os deuses são capazes de atuar transformar e mudar as
situações, mudar o destino, como podemos observar no fragmento abaixo:
Doce
palavra de Zeus, que nos trazes do santuário dourado de Delfos à cidade ilustre
de Tebas? Temos o espírito conturbado pelo terror, e o desespero nos quebranta.
Ó Apoio, nume tutelar de Delos, tu que sabes curar todos os males, que sorte
nos reservas agora, ou
pelos
anos futuros? Dize-nos tu, filha da áurea Esperança, divina voz imortal!
Também
a ti recorremos, ó filha de Zeus. Palas eterna, e a tua divina irmã, Diana,
protetora de nossa pátria, em seu trono glorioso na Ágora imensa; e Apoio, que
ao longe expede suas setas; vinde todos vós em nosso socorro; assim como já nos
salvastes outrora de uma desgraça que nos ameaçava, vinde hoje salvar-nos de
novo!(SÓFOCLES, p. 8)
Como podemos perceber Sófocles nos
traz uma personagem que desempenha duas personalidades ao mesmo tempo, a de
vilão e herói. Encontramos nesta personagem as melhores virtudes e os piores
pecados. Todas as ações desta personagem desde criança são manipuladas pelos
deuses. Seu pai Laio ao consultar o oráculo e descobrir a profecia que se
lançou sobre sua família tenta enganar o destino mandando que matem seu filho
Édipo. Porém, o encarregado de tal feito sente pena da criança e o leva a uma
terra distante, onde Édipo é criado por pais adotivos. Vemos neste fato a força
do destino ao ponto que a pessoa que deveria dar fim a vida de Édipo
compadece-se do menino e o entrega a outra família.
No entanto, como os deuses colaboram
a favor do destino, a profecia deve ser cumprida. Como era de costume na época,
as pessoas sempre consultavam um oráculo para saber sobre o futuro. Édipo
resolve consultar um oráculo e lhe é revelado seu triste destino. Ele tenta
mais uma vez fugir desta profecia, tentando enganar seu destino, visando poupar
os pais adotivos, os abandona e retorna a Tebas. Como já vimos a força que o
destino possui nesta obra, no caminho para Tebas Édipo mata Laio, sem saber que
parte da profecia está se cumprindo. Ao chegar a Tebas e derrotar a esfinge,
Édipo conhece Jocasta e se casa com ela finalizando aí o cumprimento de seu
destino.
Quando Édipo descobre que a tal
profecia havia se cumprido, tamanha é sua indignação que fura seus olhos,
ficando cego. Jocasta também agoniada com a trágica situação se suicida.
Vimos
então, ali, a rainha, suspensa ainda pela corda que a estrangulava... Diante
dessa visão horrenda, o desgraçado solta novos e lancinantes brados, desprende
o laço que a sustinha, e a mísera mulher caiu por terra. A nosso olhar se
apresenta, logo em seguida, um quadro ainda mais atroz: Édipo toma seu manto,
retira dele os colchetes de ouro com que o prendia, e com a ponta recurva
arranca das órbitas os olhos, gritando: "Não quero mais ser testemunha de
minhas desgraças, nem de meus crimes! Na treva, agora, não mais verei aqueles a
quem nunca deveria ter visto, nem reconhecerei aqueles que não quero mais
reconhecer!" Soltando novos gritos, continua a revolver e macerar suas
pálpebras sangrentas, de cuja cavidade o sangue rolava até o queixo e não em
gotas, apenas, mas num jorro abundante. Assim confundiram, marido e mulher,
numa só desgraça, as suas desgraças!(SÓFOCLES, p. 64)
Desta forma, Édipo cumpre seu
destino, ainda que tenha tentado de todas as formas fugir dele, enganá-lo, isso
não foi possível. Assim, o que percebemos através da obra Édipo rei, é a
grandiosa força que o destino possuí, aliado aos deuses que influenciam nas
vontades e escolhas dos seres humanos. Toda e qualquer criatura não é capaz de
mudar o seu destino que já está premeditado.
Referencias
bibliográficas:
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