quarta-feira, 16 de maio de 2012

Trabalhando com ciberpoemas


Vivemos em um mundo no qual a tecnologia está avançada, o acesso a novas concepções e, inúmeras inovações tecnológicas fazem parte deste novo tempo, trata-se da era digital. Nós, enquanto professores, necessitamos nos adequar a este novo momento, explorar as tecnologias em sala de aula, de forma prazerosa e interativa.
Pensando nisso, propõe-se um trabalho explorando o ciberespaço, tentando mostrar aos alunos como a literatura está presente em outra mídia além dos livros, na internet. Para início de conversa, torna-se necessário fazer um levantamento prévio entre os alunos sobre o que entendem por ciberespaço, ciberpoemas. Após este levantamento, o professor deve começar a explorar na prática as atividades interativas no ambiente virtual.
O site escolhido para exploração deste tema é Ciber&Poemas. Este site foi criado por Sérgio Capparelli e Ana Cláudia Gruszynski, no ano 2000. Faz uso da linguagem Flash, software profissional no qual se cria animações na web. O professor trabalhará com ciberpoemas nos quais os alunos poderão interagir compondo poemas, clicando ou arrastando elementos visuais dispostos na tela.
O professor levantará questionamentos, a fim de investigar o conhecimento prévio dos alunos em relação ao assunto da aula.
-Gostam de poemas?
-Fazem leitura regularmente de poemas?
-Que atrativos encontramos na mídia que nos auxiliam no estudo de literatura?
-Já ouviram falar de “Ciberpoemas”?
-O que entendem por este termo?
-O que gostariam de saber sobre os ciberpoemas?
-Quais informações julgam relevantes sobre este assunto?
Após o levantamento destas informações, o professor poderá propor aos alunos uma busca na internet por informações sobre o assunto, a fim de deixar o aluno mais habituado com esta nova ferramenta do estudo de literatura, além de sanar as dúvidas advindas do desconhecimento do termo.
Assim que os alunos tomem conhecimento do que é um ciberpoema, o professor pedirá aos mesmos que busquem por sites que trabalham com este tipo de atividade. Após os alunos navegarem e visitarem alguns sites, o professor direcionará o trabalho indicando o site Ciber&Poemas (www.ciberpoesia.com.br), no qual trabalhará com o ciberpoema “Chá”. Antes da exploração pelo site, o professor fará comentários sobre os autores, o projeto e o site. Em seguida, o aluno poderá estabelecer um diálogo com o poema, uma vez que terá em sua tela uma xícara de chá vazia, um bule, um saquinho de chá e três imagens: um selo com um casal se beijando, estrelas e corações. Estas figuras podem ser arrastadas para dentro da xícara, fazendo o seu “chá”. Assim que estiver satisfeito, deve clicar em “pronto” e se porventura tenha se esquecido de colocar a água ou o saquinho de chá, será avisado para que possa corrigir e terminar o mesmo. Na sequência, a colherinha se move na tela até a xícara, mexe o chá e o leitor será surpreendido com os sons dos ingredientes, com o bule, o qual saem letras pelo bico. Então, o aluno perceberá que a escrita do poema encontra-se na fumaça que sai da xícara e ainda, que dependendo dos elementos que escolham colocar na xícara, a fumaça adquire cores, movimentos, formas e sons diferentes. No entanto, o texto permanece o mesmo: “Deixe a infusão/ o tempo necessário/ até que os nossos aromas/ e os nossos sabores/ se misturem”.
O aluno perceberá que para realizar a leitura do poema, é preciso que o usuário interaja, construa, siga as etapas, para então, chegar ao resultado da escrita do poema. A intenção do professor neste caso, ao utilizar novas ferramentas de comunicação, é ampliar a participação do leitor, envolvendo o aluno nos estudos de literatura, explorando algo que é de interesse do mesmo, a internet. A tecnologia vem evoluindo muito, novas ferramentas, novas mídias, novas possibilidades necessitam ser utilizadas em sala de aula. Isso nos remete pensar que a literatura está muito além dos livros, e cabe a nós, professores, transpor o estudo de literatura para as novas gerações, pelos novos séculos, fazendo uso de gêneros interativos, hipertextuais, e de multimídia.

Propostas metodológicas


Tendo em vista a proposta apresentada para o estudo de uma narrativa no Ensino Médio, elabore uma unidade de ensino que contemple o gênero lírico, organizando os diferentes blocos de trabalho em uma sequência. Você decide como começar e que relações estabelecer entre os blocos.

Para atender a esta proposta de atividade, elaborou-se um plano de aula para ser aplicado em uma turma de segundo ano do ensino médio. O professor focará seu trabalho em Camões. O assunto da aula será estratégias de leitura, interpretação e compreensão do soneto.

Objetivos:
-Estimular a leitura de textos poéticos.
-Valorizar a linguagem poética como meio de produção artística.
-Estabelecer semelhanças e diferenças entre texto poético e a música.
-Explorar aspectos intertextuais entre a música e o poema.

Conteúdo específico:
Poesia lírica, estudo e leitura de textos diversificados, como letras de músicas e poemas, compreensão e interpretação do texto poético.

Tempo estimado:
Quatro aulas de 50 minutos cada.

Recursos didáticos:
Projetos, textos xerocopiados, tv, internet, quadro de giz, mural da sala de aula, cd, rádio.

Aula 1
Nesta aula o professor levará para a sala de aula uma ampulheta, um relógio e alguns papéis. O professor questionará os alunos sobre o que pensam sobre os materiais ali expostos, para que servem, se já conhecem, etc. Os alunos deverão anotar no papel o que pensam sobre a passagem do tempo, de acordo com aquilo que já conhecem. Após este momento de reflexão e escrita, o professor fará uma roda de conversas, a fim de que os alunos possam expor suas ideias e comentários sobre a questão do “tempo”.
Após toda conversação, o professor fará uma pequena explanação a respeito das peculiaridades da ampulheta e do relógio, seus aspectos históricos, culturais e a realidade do tempo, de acordo com a realidade de nossas vidas.
O professor pedirá aos alunos que pesquisem em livros, internet, poemas que traduzam esta realidade do tempo em nossas vidas.

Aula 2
Após reflexão sobre as pesquisas realizadas pelos alunos, o professor irá reproduzir através do projetor o soneto “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” de Luiz Vaz de Camões.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Luiz Vaz de Camões

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Em um primeiro momento, o professor fará a leitura em voz alta, dando entonação, vida ao poema. É importante ressaltar a necessidade de observação da musicalidade do poema, explorar a temática lírica, os estragos gráficos, fônicos, lexicais, sintáticos e semânticos.
Aula 3
Nesta aula o professor entregará aos alunos a letra da música “O tempo não para” de Cazuza e Arnaldo Brandão.
O Tempo Não Para
Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou um cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara
Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não para
Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para
Eu não tenho data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulha num palheiro
Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para
Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para
Composição: Cazuza, Arnaldo Brandão
Então o professor irá projetar um vídeo do Youtube, para que se possa utilizar dois recursos ao mesmo tempo: visual, auditivo. Segue o link que utilizado na aula.
http://www.youtube.com/watch?v=vPAlphS6LtE acessado em 04/12/2011, ás 2:00 horas.
O professor fará a exploração da canção de acordo com sua temática prosaica, em tom coloquial, distinto, também explorará a caracterização do tempo em seu aspecto filosófico. Através deste trabalho pretende-se levar o aluno a perceber as diferenças de ponto de vista do autor do soneto (Camões) e dos autores da música (Cazuza e Arnaldo Brandão).
O professor irá dividir a sala em grupos e pedirá que dois grupos pesquisem sobre a vida e obra de Camões e outros dois grupos sobre a vida e obra de Cazuza.
Aula 4
Neste momento, os alunos serão convidados a expor seus apontamentos sobre a pesquisa realizada. Na sequência, serão desafiados a encarnarem um espirito poético para compor seus sonetos ou poemas livres. Os alunos poderão também musicalizar os poemas. Todo este trabalho será exposto em um mural no qual encontraremos o soneto inspirador de Camões juntamente com um breve histórico de sua vida e obra, a música de Cazuza, também com o breve levantamento de sua vida e obra, e as obras compostas pelos alunos.
Espera-se que ao final deste trabalho os alunos sejam capazes de compreender que a literatura é vista e ensinada de forma diferente de tempos em tempos, porém, os clássicos estão presentes em todos esses momentos. Estudar literatura não significa estudar simplesmente algo antigo e ultrapassado, mas sim, repensar a expressão dos sentimentos, buscar inspiração naqueles que foram os pioneiros no que se refere a obras clássicas, em expressão, arte, sabedoria.
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Avaliação
A avaliação será contínua, levando-se em conta o desempenho dos alunos, a dedicação, a relação que os mesmos manterão com o gênero lírico.

Suportes teóricos e didáticos


Esta análise foi construída a partir de observações do livro didático: Linguagem Nova de Faraco e Moura, pela editora Ática, no ano de 2007. Partindo de informações contidas neste livro da oitava série do ensino fundamental, iniciou-se um breve exame substancial a fim de verificar se realmente seus princípios estão de acordo com as normas do Guia PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) séries finais do ensino fundamental.
A partir das observações realizadas, constatou-se que o livro acima citado cumpre com as exigências curriculares da oitava série, conforme as normas dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais). A linguagem está intimamente ligada com o cotidiano do aluno, trazendo textos bastante diversificados. O projeto-gráfico editorial está de acordo com a metodologia de ensino, trazendo imagens coerentes, com organização clara, ligadas aos textos. As ilustrações permitem a reflexão do aluno sobre o que está sendo lido, levando-o a relacionar a escrita e a imagem.
O livro nos permite um trabalho bastante interativo entre o aluno e o material didático, isso se dá nas disposições dos textos, no tamanho das letras e dos desenhos, no espaçamento entre as linhas. As propostas de atividades permitem que o aluno reflita, analise, crie possibilidades, de modo a posicionar-se criticamente em relação ao trabalho, a sociedade, a vida.
Os textos principais são redigidos e impressos na cor preta, os títulos e subtítulos são perceptíveis de distinção fazendo uso de recursos gráficos que possibilitam o fácil reconhecimento e interação do aluno com o material didático.
Além da possibilidade de interação do aprendiz com o material, o livro trás também sugestões de aprimoramento para o professor. São dicas, sugestões de atividades extra classe, leituras complementares, além da indicação de sites, filmes, músicas, que podem enriquecer ainda mais o trabalho do professor. Ao final do livro, encontram-se os pressupostos teóricos-metodológicos, nos quais pode-se observar a proposta na qual o livro está fundamentado.
A apresentação da coleção, bem como as unidades textuais, os títulos e subtítulos permitem ao leitor interagir, relacionar a proposta com suas vivências e cotidiano. Também não é perceptível erros de impressão e revisão nas páginas que foram observadas.
A estrutura interna do livro é dividida da seguinte forma: expressão oral, expressão escrita, estudo do texto, só para ler, redação, gramática e divirta-se. Na primeira seção intitulada “Expressão oral”, o aluno é questionado através de imagens e frases reflexivas, em “Expressão escrita”, encontramos textos diversificados como narrativos, poemas, letras de música, anúncios publicitários.
Na sequência temos o “Estudo do texto” no qual o aluno irá responder questões diversificadas, procurando abordar tanto o que diz o texto, quanto como ele é estruturado. Na seção “Só para ler” encontramos textos para leituras complementares. Em “Redação”, o aluno terá a oportunidade de produzir uma grande variedade de textos e, para auxílio do aluno, o livro trás outros textos como exemplo, além de dicas e orientações. Na seção “Gramática”, o aluno compreenderá a organização de nossa língua, refletindo sobre conceitos gramaticais que serão trabalhados. Desta forma, o aluno poderá ler e escrever cada vez melhor e com mais facilidade. Ao final da unidade encontramos a seção “Divirta-se” que sempre conta com a presença de cartuns e figuras engraçadas.
Os temas abordados no livro variam de pluralidade cultural à exploração de identidades e relacionamentos, fazendo uso de linguagem clara, precisa e de fácil compreensão. O livro prioriza a ampliação de vocabulário, através de atividades que permitem ao aluno compreender diferentes significados de uma palavra, em suas diferentes culturas.
Assim, percebemos que o livro Linguagem Nova, é recomendável para o trabalho no ensino fundamental, uma vez que dá subsídios para o aluno compreender e escrever melhor, posicionando-se criticamente diante dos fatos e da sociedade na qual vive. Não se deve deixar de ressaltar que um bom livro didático possibilita um trabalho mais engajado com a realidade do aluno, enquanto que um livro convencional, sem atrativos torna o ensino da língua materna maçante e sem significação para o aluno.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Ler: Minha paixão!!!

A leitura torna o homem completo; a conversação torna-o ágil; e o escrever dá-lhe precisão.

Francis Bacon




Meu respirar e o meu viver...

Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.
Paulo Freire