Tendo em vista a proposta apresentada para o estudo de uma
narrativa no Ensino Médio, elabore uma unidade de ensino que contemple o gênero
lírico, organizando os diferentes blocos de trabalho em uma sequência. Você
decide como começar e que relações estabelecer entre os blocos.
Para atender a esta proposta de atividade, elaborou-se
um plano de aula para ser aplicado em uma turma de segundo ano do ensino médio. O
professor focará seu trabalho em Camões. O assunto da aula será estratégias de
leitura, interpretação e compreensão do soneto.
Objetivos:
-Estimular a
leitura de textos poéticos.
-Valorizar a
linguagem poética como meio de produção artística.
-Estabelecer
semelhanças e diferenças entre texto poético e a música.
-Explorar
aspectos intertextuais entre a música e o poema.
Conteúdo específico:
Poesia lírica,
estudo e leitura de textos diversificados, como letras de músicas e poemas,
compreensão e interpretação do texto poético.
Tempo estimado:
Quatro aulas de
50 minutos cada.
Recursos didáticos:
Projetos, textos
xerocopiados, tv, internet, quadro de giz, mural da sala de aula, cd, rádio.
Aula 1
Nesta aula o professor levará para a sala de aula uma ampulheta,
um relógio e alguns papéis. O professor questionará os alunos sobre o que
pensam sobre os materiais ali expostos, para que servem, se já conhecem, etc.
Os alunos deverão anotar no papel o que pensam sobre a passagem do tempo, de
acordo com aquilo que já conhecem. Após este momento de reflexão e escrita, o
professor fará uma roda de conversas, a fim de que os alunos possam expor suas
ideias e comentários sobre a questão do “tempo”.
Após toda conversação, o professor fará uma pequena explanação a
respeito das peculiaridades da ampulheta e do relógio, seus aspectos
históricos, culturais e a realidade do tempo, de acordo com a realidade de
nossas vidas.
O professor pedirá aos alunos que pesquisem em livros, internet,
poemas que traduzam esta realidade do tempo em nossas vidas.
Aula 2
Após reflexão sobre as pesquisas realizadas pelos alunos, o professor
irá reproduzir através do projetor o soneto “Mudam-se os tempos, mudam-se as
vontades” de Luiz Vaz de Camões.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Luiz Vaz de Camões
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Em um primeiro momento, o
professor fará a leitura em voz alta, dando entonação, vida ao poema. É
importante ressaltar a necessidade de observação da musicalidade do poema,
explorar a temática lírica, os estragos gráficos, fônicos, lexicais, sintáticos
e semânticos.
Aula 3
Nesta aula o professor
entregará aos alunos a letra da música “O tempo não para” de Cazuza e Arnaldo
Brandão.
O Tempo Não Para
Disparo contra o
sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou um cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou um cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara
Mas se você
achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não para
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não para
Dias sim, dias
não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta
A tua piscina tá
cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para
Eu vejo o futuro
repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para
Eu não tenho
data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulha num palheiro
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulha num palheiro
Nas noites de
frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro
A tua piscina tá
cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para
Eu vejo o futuro
repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para
Dias sim, dias
não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta
A tua piscina tá
cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para
Eu vejo o futuro
repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para
Composição:
Cazuza, Arnaldo Brandão
Então o professor irá
projetar um vídeo do Youtube, para que se possa utilizar dois recursos ao mesmo
tempo: visual, auditivo. Segue o link que utilizado na aula.
http://www.youtube.com/watch?v=vPAlphS6LtE
acessado em 04/12/2011, ás 2:00 horas.
O professor fará a
exploração da canção de acordo com sua temática prosaica, em tom coloquial,
distinto, também explorará a caracterização do tempo em seu aspecto filosófico.
Através deste trabalho pretende-se levar o aluno a perceber as diferenças de
ponto de vista do autor do soneto (Camões) e dos autores da música (Cazuza e
Arnaldo Brandão).
O professor irá dividir a
sala em grupos e pedirá que dois grupos pesquisem sobre a vida e obra de Camões
e outros dois grupos sobre a vida e obra de Cazuza.
Aula 4
Neste momento, os alunos
serão convidados a expor seus apontamentos sobre a pesquisa realizada. Na
sequência, serão desafiados a encarnarem um espirito poético para compor seus
sonetos ou poemas livres. Os alunos poderão também musicalizar os poemas. Todo
este trabalho será exposto em um mural no qual encontraremos o soneto
inspirador de Camões juntamente com um breve histórico de sua vida e obra, a música
de Cazuza, também com o breve levantamento de sua vida e obra, e as obras
compostas pelos alunos.
Espera-se que ao final deste trabalho os
alunos sejam capazes de compreender que a literatura é vista e ensinada de
forma diferente de tempos em tempos, porém, os clássicos estão presentes em
todos esses momentos. Estudar literatura não significa estudar simplesmente
algo antigo e ultrapassado, mas sim, repensar a expressão dos sentimentos,
buscar inspiração naqueles que foram os pioneiros no que se refere a obras
clássicas, em expressão, arte, sabedoria.
.
Avaliação
A avaliação será contínua, levando-se em
conta o desempenho dos alunos, a dedicação, a relação que os mesmos manterão
com o gênero lírico.
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